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02 Jul

Dejetos da avicultura e suinocultura revelam potencial do Espírito Santo para produção de biometano e produção orgânica

Publicado em: 02 Jul 2026

Dejetos da avicultura e suinocultura revelam potencial do Espírito Santo para produção de biometano e produção orgânica
Imagem: Arquivos AVES/ASES - Produção de biogás no biodigestor


 

Diretor executivo da AVES e ASES apresentou panorama dos setores durante o Vitória Energy 2026 e destacou oportunidades e desafios para transformar resíduos em energia limpa

O aproveitamento dos dejetos da avicultura e da suinocultura para a produção de biometano desponta como uma oportunidade estratégica para ampliar a geração de energia renovável no Espírito Santo. O tema esteve em debate durante o Vitória Energy 2026, principal evento capixaba voltado à transição energética e ao desenvolvimento sustentável, que reuniu especialistas, empresários e representantes do setor produtivo.

Representando a AVES e a ASES, o diretor executivo Nélio Hand apresentou um panorama da produção avícola e suinícola no Estado e demonstrou como os resíduos gerados pelas atividades agropecuárias podem contribuir para a economia circular e para a diversificação da matriz energética, além de gerar sustentabilidade na agricultura.

Segundo dados apresentados, o Espírito Santo produz, em média, 75 mil toneladas de esterco de aves e cerca de 30,5 mil metros cúbicos de dejetos suínos por mês. Atualmente, esses materiais já possuem importante destinação econômica e ambiental.

Na avicultura, o esterco é amplamente utilizado como adubo orgânico, abastecendo diversas cadeias produtivas, como agricultura, cafeicultura, fruticultura, horticultura e reflorestamento, inclusive com comercialização para outros estados brasileiros.

Já na suinocultura, o cenário demonstra um avanço importante na geração de energia. Cerca de 90% da produção estadual conta com biodigestores, permitindo que parte dos produtores utilize o biogás para abastecer suas próprias granjas, enquanto outros já comercializam a energia excedente junto às concessionárias.

Apesar desse cenário positivo, a produção de biometano em escala comercial ainda enfrenta desafios.

"Os resíduos produzidos pelas cadeias de aves e suínos já são muito bem aproveitados pelos produtores. O grande desafio é transformar esse potencial em projetos economicamente viáveis para produção de biometano", destacou Nélio Hand durante sua apresentação.

Entre os principais entraves estão os elevados investimentos necessários para implantação das plantas de produção, além da necessidade de maior participação de empresas do setor de gás interessadas em desenvolver projetos no Espírito Santo. Ele ressalta ainda que a competição com a agricultura também faz com que o setor de avicultura, principalmente, ainda deixe a opção de bioenergia para um segundo plano. “Nosso Estado tem uma característica de destinar a produção do  esterco para a agricultura, onde existe uma remuneração razoável. Questões estruturais, como espaço para instalação de biodigestores, por exemplo, também são limitantes”, afirma.


Potencial para novos negócios

Experiências internacionais mostram que o aproveitamento energético de resíduos orgânicos pode representar uma importante alternativa de desenvolvimento econômico.

Na Espanha, por exemplo, resíduos da avicultura e da suinocultura já são utilizados para produzir biometano, fertilizantes e dióxido de carbono biogênico, fortalecendo a economia circular e agregando valor aos resíduos da atividade rural.

Para a AVES e a ASES, iniciativas como essa demonstram que o Espírito Santo reúne condições favoráveis para desenvolver projetos semelhantes no médio prazo, especialmente pela forte presença da avicultura e da suinocultura no Estado.

"O setor acompanha essa evolução com interesse. Hoje, os resíduos já possuem aproveitamento consolidado, mas acreditamos que, com o amadurecimento do mercado, redução dos custos, novos investimentos e estruturas apropriadas à realidade local o biometano poderá se tornar mais uma alternativa de geração de renda para os produtores e contribuir para o desenvolvimento sustentável do Espírito Santo", ressaltou Nélio.

Para a AVES e a ASES, acompanhar esse movimento e participar das discussões sobre o futuro energético do Estado é fundamental para ampliar as oportunidades para os produtores capixabas e fortalecer a sustentabilidade das cadeias da avicultura e da suinocultura.

Hoje, os dejetos da avicultura e da suinocultura já movimentam diversos setores da economia capixaba. No futuro, também poderão fortalecer a produção de energia limpa e ampliar as oportunidades de renda no campo, consolidando o Espírito Santo como referência em economia circular e sustentabilidade.

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