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03 Fev

Espírito Santo produz 5,26 bilhões de ovos e exportações saltam 1.275% em 2025

Publicado em: 03 Fev 2026

Espírito Santo produz 5,26 bilhões de ovos e exportações saltam 1.275% em 2025
Com VBP de R$ 2,75 bilhões, produção de ovos no Espírito Santo chega a 5,26 bilhões de unidades I Crédito: KerOvos Alimentos, sediada em Santa Maria de Jetibá (ES)


A produção brasileira de ovos deve atingir até 62,25 bilhões de unidades em 2025, segundo projeções da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O volume representa um crescimento de 7,9% em relação a 2024, quando o país produziu 57,683 bilhões de ovos.

No Espírito Santo, foram produzidos 5,265 bilhões de ovos de galinha e 1,8 bilhão de ovos de codorna em 2025, de acordo com a Associação de Avicultores do Espírito Santo (Aves). A produção de postura comercial de ovos no estado se manteve praticamente estável, com crescimento de apenas 0,85% na comparação anual.

O valor bruto da produção (VBP) estimado para o setor é de R$ 2,75 bilhões. O plantel médio em 2025 foi de 21,24 milhões de galinhas poedeiras e cerca de 7 milhões de codornas, segundo levantamento da Aves.


Após um período de retração, a produção de ovos no Espírito Santo vem mostrando sinais de recuperação. Em 2020, o estado produziu cerca de 5,6 bilhões de ovos, mas os elevados custos dos grãos entre 2020 e 2021 impactaram fortemente a atividade, provocando uma queda acumulada de 22% até 2022.

Em 2023, a produção capixaba ficou em 4,5 bilhões de ovos. Já em 2024, houve crescimento de 15%, alcançando 5,2 bilhões de unidades. Em 2025, o volume se manteve estável, totalizando 5,26 bilhões de ovos.

Segundo o diretor-executivo da Aves, Nélio Hand, o setor segue uma trajetória mais cautelosa. “Isso decorre de experiências em anos anteriores, quando os custos foram muito impactantes, além de uma produção nacional que hoje se mostra bem ajustada ao potencial de consumo. A frustração nas exportações para os Estados Unidos, em decorrência do tarifaço, também contribuiu para uma postura mais conservadora do setor capixaba”, avalia.

A maior parte da produção capixaba de ovos é destinada ao Rio de Janeiro, que absorve 36% do volume estadual. Em seguida aparecem Bahia (19%) e Minas Gerais (10%).

O consumo interno representa 28%, enquanto as exportações respondem por 1,5% da produção. Outros estados brasileiros compram 5,5% dos ovos produzidos no Espírito Santo.

O município de Santa Maria de Jetibá concentra 91,30% da produção estadual, seguido por Domingos Martins (2,93%), Santa Teresa (1,31%), Santa Leopoldina (1,19%), Venda Nova do Imigrante (0,90%) e outros municípios, que somam 3,56%. Santa Maria de Jetibá também se destaca no cenário nacional como o maior produtor de ovos do Brasil, segundo o IBGE.

Avicultura tem forte impacto econômico e social

O Espírito Santo ocupa a posição de terceiro maior produtor de ovos do Brasil, e a avicultura é um dos pilares do agronegócio capixaba. O setor gera milhares de empregos diretos e indiretos, movimenta a economia e tem papel fundamental na renda das famílias do campo.

De acordo com Nélio Hand, a atividade tem grande relevância social e econômica. “O setor gera cerca de 20 mil empregos e impacta mais de 100 mil famílias. Em 2024, a avicultura, incluindo o frango de corte, representou 10,6% do valor bruto da produção agropecuária do Espírito Santo”, destaca.

No cenário nacional, a ABPA projeta nova expansão para 2026, com produção estimada em 66,5 bilhões de ovos, alta de 6,8% em relação a 2025. No Espírito Santo, a expectativa é de manutenção de um mercado ajustado e de continuidade da postura cautelosa.

“Há expectativa de melhora nas exportações. Na postura comercial, a tentativa é retomar volumes perdidos, especialmente após o tarifaço dos Estados Unidos. No frango, o foco é ampliar mercados já existentes. Também esperamos que desafios locais, que afetam a competitividade frente a outros estados produtores, possam ser minimizados”, afirma Hand.

Exportações ganham protagonismo em 2025

Em 2025, o Espírito Santo exportou US$ 8,4 milhões em ovos, e o produto entrou, pela primeira vez, entre os dez principais itens do agronegócio capixaba exportados. Em relação a 2024, houve um salto de 1.275% no valor exportado, que passou de US$ 608 mil para US$ 8,4 milhões. O volume embarcado cresceu 761,5%, saindo de 474.956 unidades para 4.091.558.

Os ovos capixabas chegaram a 27 países, mas os Estados Unidos concentraram 98,6% do valor exportado, com 4.047.876 unidades e US$ 8,25 milhões. Na sequência aparecem as Ilhas Marshall (0,30%) e a Libéria (0,20%).

“O principal propulsor desse volume exportado foi o mercado dos Estados Unidos, que acabou sendo frustrado pelo tarifaço. Na época, já tínhamos cinco produtores exportando e outros dois se preparando para fornecer. A avicultura chegou a exportar quase 3% da produção”, explica Hand. “Agora, o setor busca mercados na América do Sul, Oriente Médio e Europa para manter as exportações como alternativa de mercado.”

Para ampliar a competitividade, a Aves atua junto às instâncias competentes para habilitar o Espírito Santo junto à União Europeia para o fornecimento de ovos.

O aumento da demanda internacional por ovos brasileiros em 2025 está diretamente ligado ao agravamento da crise sanitária provocada pela gripe aviária, especialmente nos Estados Unidos. Surtos sucessivos levaram ao abate em massa de aves poedeiras, provocando escassez e elevação dos preços no mercado interno norte-americano.

A partir de fevereiro, os EUA passaram a importar ovos do Brasil também para consumo humano direto, e não apenas para uso industrial, o que impulsionou os embarques. A confiança na sanidade da produção brasileira, aliada à agilidade logística e à diversificação de mercados, consolidou o Brasil como fornecedor estratégico diante do déficit global de oferta.

 



Por: Coluna Agro Business - Folha Vitória

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